segunda-feira, 1 de março de 2010

O clássico das travessuras

A Vila Belmiro presenciou um clássico de encher os olhos. Com todos os ingredientes necessários de uma grande partida de futebol. Nem o público reduzido (apenas 9 mil pessoas aceitaram pagar o absurdo preço dos ingressos) atrapalhou o espetáculo. Oid_47401_album2 que se viu em campo foram dois times aguerridos, que deram a vida pelos três pontos.

O Santos mostrou que não depende tanto de Robinho, diferentemente do que pensavam. Marquinhos o substituiu muito bem. Com o meia, o futebol santista é mais equilibrado. Ao lado de Wesley e Arouca, domina o meio de campo, dando liberdade para Neymar, Ganso e André se movimentarem a vontade. Com os laterais mais recuados, anularam as jogadas de lado de campo do Corinthians.

Sem muita saída, o Timão apelava para as jogadas pelo meio, lançando bola para Ronaldo, que foi muito bem anulado pela dupla de zaga santista. Acuado, não conseguia criar seu jogo. Logo aos seis minutos, Ganso fez bela jogada e lançou Marquinhos dentro da área. O meia foi calçado por Roberto Carlos. Pênalti bem marcado. Neymar cobrou com seriedade, sem paradinha, mas Felipe fez ótima defesa.

Parecia o momento certo para o Corinthians tomar as rédeas da partida e atacar. Até conseguiu. Em lance primoroso, Ronaldo deu belo passe para Dentinho, que levantou e puxou uma bicicleta, mas Felipe salvou. E foi só. O Santos não se abalou, manteve a postura e o gol veio. Belo passe de Marquinhos para Neymar. O garoto girou com muita facilidade sobre Alessandro e finalizou com perfeição, para abrir o placar aos 33 minutos.

No segundo tempo, o jogo ganhou toques de tensão. O Corinthians seguiu preso à tática do Santos, que controlava a partida e ditava o ritmo do jogo. O segundo gol veio naturalmente, aos 14 minutos. Outra linda enfiada de Marquinhos para Neymar, que dominou e deixou André livre para marcar o segundo. William e Chicão não ronaldo9conseguiam segurar a movimentação do jovem time santista.

As reclamações começaram quando, com o jogo já parado, Neymar deu um chapéu desnecessário em Chicão. Mais desnecessária ainda foi a reação do zagueiro que, querendo se fazer de xerife, deu um empurrão no garoto. Amarelo para os dois. Perfeito. Mano Menezes urrava do banco, irritadíssimo. Quando Dentinho diminuiu aos 24 minutos, após belo passe de Ronaldo, parecia que o jogo estava aberto.

Mas o Timão, assim como seu técnico, perdeu a cabeça. Moacir entrou com o pé junto em Marquinhos e foi expulso, com justiça. A expulsão contestável foi a de Roberto id_47409_album10Carlos, que caiu após choque com Roberto Brum. Não houve pênalti, mas o segundo amarelo foi desnecessário. Dois clássicos de Roberto Carlos, duas expulsões.

Tcheco ainda teve chance clara, aos 40 minutos, mas perdeu gol feito. Com dois jogadores a menos, a reação do Corinthians ficou muito difícil. Mano Menezes tem que mexer na equipe. Falta velocidade. Dentinho, Jorge Henrique e Defederico podem, e devem, jogar juntos. Tcheco cadencia muito o jogo, o que não está dando certo. Isso foi visível na quarta, contra o fraco Racing-URU. Hoje também. Ainda dá tempo de mudar para vencer. E Mano Menezes precisa mudar, também, sua atitude na beira do campo. Ficar dando ataque contra a arbitragem só inflama seus jogadores. O que foi visível hoje.

Ao Santos, não tem muito o que falar. O time segue líder do Paulistão, com sobras, e surpreendendo a todos. Chegou à sua oitava vitória seguida. Ganhou os dois clássicos que disputou. Dorival sabe muito e soube montar uma equipe com Robinho e outra sem o craque. Ambas funcionam muito bem. É bonito ver o time jogar. Vamos ver até onde chega.

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