O rompimento entre Palmeiras e Muricy Ramalho é o típico divórcio onde nenhuma das partes tem razão.
Muricy Ramalho finalmente admitiu o óbvio, após receber o cartão vermelho da diretoria palmeirense: falta ousadia aos dirigentes verdes e o time precisa de reforços… Se ele sempre soube disso, porque sempre se negou a admitir? Quis preservar o grupo? Menos, Muricy. Quem ficou sem o emprego foi você.
A diretoria do Palmeiras achou que bastaria contratar Muricy Ramalho para que o time começasse a ganhar tudo. Foi assim no São Paulo, mas havia uma diferença abissal entre o elenco que o treinador tinha para trabalhar no Morumbi e agora, no Palestra Itália. Nem um grupo titular fechado a diretoria deu a Muricy, quando mais um plantel completo. Assim mesmo, os números do técnico ficaram abaixo do esperado nos seis meses em que dirigiu o Palmeiras: 34J, 13V, 11E, 10D. Aproveitamos de 49.1%. Dados medíocres e que, infelizmente, justificam a degola óbvia e com cheiro de lugar-comum.
Até porque, diferentemente do que prega Muricy, é difícil ver alguma evolução num time que só venceu cinco dos últimos 20 jogos, sequer se classificou para a Libertadores após três meses na liderança do Brasileirão, só ganhou três de nove jogos desse fraquíssimo Paulistão, no qual, diga-se de passagem, ocupa a oitava colocação.
Enfim, Muricy tem muito do que reclamar da diretoria verde. E os cartolas também tem motivos para não querer vê-lo tão cedo pelos arredores do Palestra Itália. E, sinceramente, o nome de Antonio Carlos Zago pode trazer um efeito positivo para o Palmeiras nesse momento. Foi jogador do clube num período feliz e vencedor da história do clube, conhece os corredores e os cornetas que por lá transitam e é um treinador emergente, por mais que sempre carregue muita polêmica junto com seu trabalho.
Zago fez um trabalho razoável como diretor do Corinthians, tirou o São Caetano do 16º lugar na Série B e terminou num bom sétimo lugar, mesma posição que o Azulão agora ocupa no Campeonato Paulista. Sem contar a última e ótima atução do time na goleada de 4 a 1 sobre o mesmo Palmeiras.
Enfim, Antonio Carlos Zago chega. Que o deixem trabalhar. E que lhe ofereçam condição, time e elenco para isso. Muricy sai. Por baixo, sem resultados, sem paz e sem rumo. Não ficará desempregado. Ele é muito bom treinador. Mas seu trabalho naufragou no Palestra. E seu destempero nos últimos tempos só ilustrava seu desconforto. Até prova em contrário, Muricy e o Palmeiras não nasceram um para o outro
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