

Era tudo o que Adílson Batista queria, às vésperas do segundo (e já decisivo) jogo do Cruzeiro, pela fase de grupo da Libertadores – quarta-feira, às 19h30min, contra o Colo-Colo, no Mineirão. Ganhar do Atlético, maior rival, era o empurrão que a Raposa precisava para esquecer as duas expulsões de Gilberto, a derrota para o Velez Sarsfield e as críticas precipitadas (e equivocadas) à qualidade e ao potencial do time. Perfeito para os azuis. O placar final de 3 a 1 no clássico (gols de Gil, Leonardo Silva e Roger, com bela estréia) foi perfeito pensando no ontem, no hoje e no amanhã.
Era tudo o que Vanderlei Luxemburgo não queria, às vésperas da estréia do Atlético na Copa do Brasil – quarta-feira, em Rio Branco, contra o Juventus -, e para acalmar dirigentes e torcedores, inconformados com o péssimo início de temporada. A derrota para o Cruzeiro marcou a quinta partida do Galo no Estadual, com o currículo parcial de uma vitória, três empates e uma derrota. Até agora o time está em sexto, mas pode cair após o complemento da rodada, no domingo. As cornetas recrudescerão, a pressão, idem, e mesmo com o equilíbrio no clássico e com o bom elenco que tem à disposição, Luxemburgo terá que se virar nos 30 para explicar porque a largada foi tão morna.
Luxemburgo lembra que o time teve mais volume de jogo. E que foi prejudicado pelo gol mal anulado de Diego Tardelli. Mas o fato é que o Galo não fez o resultado. E que completou oito jogos em Estaduais sem vencer o Cruzeiro. Não é motivo para crise. Porém, a inquietação é até saudável. É hora de o treinador, mesmo com o bom desempenho no clássico perdido, detectar onde estão os problemas que não fazem o time deslanchar. É o momento de blindar Muriqui, cobrado demais pelos torcedores. E de admitir que a entrada de Roger, do lado azul, rendeu muito mais do que a de Obina, todo enrolado. Não seria mais eficiente ter posto Marques mais cedo e tentado descentralizar os ataques?
Pelo lado do Cruzeiro, deu tudo certo. O time fez um jogo equilibrado, teve dificuldades contra o Atlético, mas efetivamente ganhou a partida na entrada de Roger, que fazia sua estréia. Ele acendeu o jogo, pôs aceleração no time, acertou a cobrança de escanteio para Leonardo Silva fazer 2 a 1 e sacramentar a partida com um chutaço de fora da área.
Que o Cruzeiro aproveite a vitória e ganhe tranquilidade para enfrentar o Colo-Colo, cravar três pontos e afastar a tensão do início tumultuado de Libertadores. A Raposa tem time para ganhar a Libertadores. Mas não pode perder para ela própria. E o Galo precisa aproveitar o momento instável para dar confiança ao grupo, aprimorar a tática e espantar os cornetas. Nesse momento, o melhor reforço atende por serenidade.
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